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A geada negra do café

Atualizado: 1 de mar. de 2021

O Brasil é o maior exportador de café no mercado mundial e ocupa a segunda posição, entre os países consumidores da bebida.

café
O Brasil é um fenômeno mundial quando se trata da produção de café, mas em 1975 muita coisa mudou com uma forte geada.

O Brasil responde por um terço da produção mundial de café, o que o coloca como maior produtor mundial, posto que detém há mais de 150 anos. O café foi o principal produto de exportação da economia brasileira durante o século XIX e o início do século XX, garantindo as divisas necessárias à sustentação do Império do Brasil e também da República Velha.

As raízes do café no Brasil foram plantadas no século XVIII, quando as mudas da planta foram cultivadas pela primeira vez, que se tem notícia, por Francisco de Melo Palheta, em 1727, no Pará.

A partir daí, o café foi difundido timidamente no litoral brasileiro, rumo ao sul, até chegar à região do Rio de Janeiro, por volta de 1760. Entretanto, sua produção em escala comercial para exportação ganhou força apenas no início do século XIX. Tal dimensão de produção cafeeira só foi possível com o aumento da procura do produto pelos mercados consumidores da Europa e dos EUA.

Geada Negra

O dia 18 de julho de 1975 não sai da memória de muitos moradores do Paraná, principalmente os que moravam no norte do estado. Uma forte geada naquela madrugada atingiu plantações da região e queimou quase todas as plantações da época. O café, principal produto agrícola do estado na época, foi dizimado.

O café era o grande produto do Paraná, principalmente na década de 1960. Chegou ao estado a partir do norte pioneiro e se espalhou, por causa da ferrovia, até o noroeste.

Em 1975, o produto já tinha perdido terreno. Novas leis e a chegada do trigo e da soja fizeram famílias buscarem outros caminhos. “Ainda assim, era a principal cultura. Tínhamos mais de 1 milhão de hectares com café”, lembra o engenheiro agrônomo Francisco Barbosa Lima. A geada daquele 18 de julho castigou toda a produção do estado. “Não sobrou nada. No ano seguinte, o número de sacas colhidas foi zero”, recorda Lima. Em um ano, 300 mil hectares de café foram erradicados.