• Paulo Vitor

A grande cratera de Nadir, na África

Descoberta recentemente por cientistas, essa cratera no oeste da África é datada de 65 milhões de anos antes do presente e pode trazer novas evidências sobre a extinção dos dinossauros.


cratera nadir África
Os dinossauros foram extintos há 65 milhões de anos.

Um dos eventos geológicos mais famosos é o da colisão de um asteroide com a terra há cerca de 65 milhões de anos. A colisão do asteroide de cerca de 12 km de diâmetro onde hoje é o México causou fortes tremores de terra, tsunamis gigantescos e mudou o clima da terra por um longo período. Com isso, não somente os dinossauros, mas outras espécies não sobreviveram com as mudanças bruscas nos ecossistemas do período e acabaram extintas.



Passados mais de 65 milhões de anos do ocorrido, uma outra espécie denominada Homo sapiens, mas conhecida como nós, os seres humanos, descobrimos recentemente a existência de outra cratera, a cratera Nadir, que se situa no oeste da África, cerca de 400 km da costa da Guiné e submersa no mar a 300 metros de profundidade. Além disso, a cratera Nadir possui cerca de 8,5 km de diâmetro.


O que chama atenção é a idade estimada da cratera: 65 milhões de anos, ou seja, é da mesma época da cratera de Chicxulub que é uma das evidências de um dos eventos que extinguiu os dinossauros.


Colisão asteroide méxico
Como eram os continentes na época em que ocorreu a colisão do asteroide que extinguiu os dinossauros.

A hipótese é de que o asteroide que gerou a cratera Nadir tinha cerca de 0,5 km de diâmetro e assim causado bem menos impacto em relação ao que caiu sobre o México. E há a ideia de que ambos os asteroides estejam relacionados, possivelmente, o da cratera Nadir pode ter sido um fragmento do asteroide que caiu sobre o México.



Porém, para afirmar isso, análises das rochas ou fósseis associadas aos dois eventos são primordiais, o que poderia confirmar ou não essa hipótese. Como por exemplo, os fósseis e rochas datassem e tivessem seus processos de gênese iguais umas das outras.


cratera nadir
Através da assinatura sedimentar e geoquímica de rochas e sedimentos, os cientistas conseguem extrair importantes informações paleoambientais, o que poderia ser o caso da cratera Nadir.

Mas, existe uma controvérsia de que a cratera Nadir tenha sido formada pela atividade vulcânica na região durante o passado. Ainda segundo os pesquisadores, o impacto do asteroide que formou a cratera Nadir gerou um tsunami de cerca de 1 km de altura e um terremoto de 6,5 de magnitude. Para fins comparativos, esse impacto gerou energia 1000 vezes maior que a energia liberada na erupção do vulcão Tonga e no tsunami associado em janeiro de 2022.



Os pesquisadores atuam na perspectiva de que não é improvável que vários corpos celestes tenham atingido a terra em sua história geológica. Daí podemos pensar que esses eventos podem não estarem relacionados entre si, mas que há certa probabilidade de sua ocorrência. A cratera foi descoberta após análises sísmicas.