• Nicolle Reis

Buraco de ozônio na Antártica abrange grande área em 2021

Neste ano, o buraco na camada de ozônio da Antártica atingiu sua área máxima em 7 de outubro e é o 13º maior desde 1979.


Imagem do buraco de ozônio Antártico em sua extensão máxima no dia 7 de outubro de 2021. Os cientistas definem o "buraco de ozônio" como a área na qual os níveis de ozônio ficam abaixo de 220 unidades Dobson (azul escuro, marcado pelos triângulos pretos na barra de cores). Fonte: NOAA Climate.

A camada de ozônio protege a vida na Terra ao absorver a radiação ultravioleta (UV), que pode causar danos às plantas, animais e seres humanos (queimaduras de sol e até câncer de pele). O “buraco de ozônio” é uma redução da camada de ozônio na estratosfera, com concentração de ozônio abaixo de 220 unidades Dobson, sobre a Antártica, que se desenvolve anualmente no mês de setembro.


Formas quimicamente ativas de cloro e bromo - derivadas de compostos produzidos pelo homem (gases CFC) - são liberadas na estratosfera durante reações químicas em nuvens altas nas latitudes polares. O cloro e o bromo reativos são capazes de destruir as moléculas de ozônio, no final do inverno do Hemisfério Sul (quando o Sol nasce na Antártica).



Neste ano, cientistas da NASA e da NOAA relataram que um inverno mais frio do que o normal no Hemisfério Sul levou a um buraco de ozônio mais profundo e maior do que a média, que provavelmente persistirá em novembro ou dezembro. O vídeo a seguir mostra a evolução do ozônio no Polo Sul entre 1º de janeiro e 7 de outubro de 2021 (dia em que atingiu a sua extensão máxima).



As observações de satélite da NASA determinaram que o buraco na camada de ozônio atingiu um máximo de 24,8 milhões de quilômetros quadrados em 2021 - aproximadamente o tamanho da América do Norte. Temperaturas mais frias que a média e ventos fortes na estratosfera circundando a Antártica contribuíram para seu tamanho.


“Este é um grande buraco de ozônio por causa das condições estratosféricas de 2021 mais frias do que a média e, sem um Protocolo de Montreal, teria sido muito maior”, disse Paul Newman, cientista-chefe de Ciências da Terra na NASA.

Além da área do buraco de ozônio, os cientistas também rastreiam a quantidade média de depleção - quanto ozônio resta dentro do buraco. Cientistas da NOAA na Estação do Polo Sul registram a espessura da camada liberando balões meteorológicos que transportam ozoniossondas e fazem medições com um espectrofotômetro Dobson.


Lançamento de um balão meteorológico contendo uma ozoniossonda para coletar dados da coluna total de ozônio estratosférico sobre o Pólo Sul.

Em 7 de outubro de 2021, os cientistas registraram uma concentração na coluna total de ozônio correspondente a 102 unidades Dobson, o oitavo nível mais baixo desde 1986. Embora em 202 o buraco de ozônio seja maior do que a média, é substancialmente menor do que no final dos anos 1990 e início dos anos 2000.



Em 2019, um aquecimento anormal na estratosfera sobre a Antártica limitaram drasticamente a diminuição da coluna total de ozônio, levando ao menor buraco registrado desde 1982.


O gráfico mostra a extensão média (em milhões de km²) do buraco de ozônio na Antártica (linhas sólidas em azul e cinza), bem como a variação de seu tamanho (barra sombreada em azul claro e cinza), durante a temporada de pico de 1979 até o presente. Fonte: Nasa.

O buraco na camada de ozônio está se recuperando devido ao Protocolo de Montreal que veta a produção e o uso de produtos prejudiciais à camada de ozônio. Newman e colegas estimaram que se os níveis de CFCs fossem tão altos hoje quanto eram no início de 2000, o buraco de ozônio deste ano teria sido maior em cerca de quatro milhões de km² nas mesmas condições climáticas atuais.