• Raquel Pereira

Ciclone Batsirai atinge Madagascar e ameaça Moçambique

Pelo menos seis pessoas foram mortas e quase 50.000 deslocadas depois que o ciclone Batsirai trouxe ventos fortes e chuva para Madagascar na noite de sábado (5). Agora o sistema ameaça Moçambique.


Cyclone Batsirai
Mapa de vento do modelo alemão ICON mostrando o posicionamento do ciclone Batsirai. Créditos: Adaptado de Ventusky.

À medida que o poderoso ciclone Batsirai se aproximava do leste de Madagascar no sábado, as pessoas buscavam abrigo em prédios de concreto mais seguros, enquanto outros reforçavam seus telhados com grandes sacos de areia.



Batsirai, a segunda grande tempestade em duas semanas, atingiu a costa leste de Madagascar, com rajadas de 235 km/h e ondas altas atingindo áreas costeiras. Aldeias são relatadas como quase completamente destruídas.


Madagascar já estava sofrendo com a tempestade tropical Ana, que matou mais de 50 pessoas quando atingiu a nação insular do Oceano Índico no mês passado.

Pelo menos 131.000 pessoas foram afetadas por Ana em Madagascar no final de janeiro. Pelo menos 58 pessoas foram mortas, principalmente na capital Antananarivo. A tempestade também atingiu Malawi, Moçambique e Zimbábue, causando dezenas de mortes.


O ciclone Batsirai agravou a destruição, chegando perto da cidade de Mananjary, no sudeste do país, a 530 quilômetros da capital Antananarivo, por volta das 20:00 hora local de sábado. A eletricidade não estava disponível em Mananjary há dois dias e o abastecimento de água foi interrompido. Até mesmo escolas e igrejas que deveriam ser usadas como centros de evacuação tiveram seus telhados arrancados.


A tempestade tropical Ana matou 58 pessoas e afetou pelo menos mais 131.000 em Madagascar no mês passado.

Na cidade costeira de Vatomandry, no leste do país, mais de 200 pessoas estavam amontoadas em uma sala em um prédio de concreto de propriedade chinesa enquanto esperavam o Batsirai. As famílias dormiam em esteiras ou colchões. O líder comunitário Thierry Louison Leaby lamentou a falta de água potável depois que a companhia de abastecimento de água desligou o abastecimento antes do ciclone.


"As pessoas estão cozinhando com água suja", disse ele, em meio a temores de um surto de diarreia.

Outros moradores de Vatomandry estavam estocando suprimentos em preparação para a tempestade. Há uma semana estavam estocando arroz e grãos, porque com os cortes de eletricidade não dava para manter carne ou peixe.




A cidade de Nosy Varika está quase 95% destruída. As casas sólidas tiveram seus telhados arrancados pelo vento. As cabanas de madeira foram, em sua maioria, destruídas. Na cidade de Mahanoro, na costa leste, o mar subindo erodiu uma colina arenosa que fazia parte de um cemitério.



O Programa Mundial de Alimentos da ONU apontou para estimativas de autoridades nacionais de que cerca de 595.000 pessoas podem correr o risco de serem diretamente afetadas por Batsirai, e outras 150.000 podem ser deslocadas devido a novos deslizamentos de terra e inundações.


Alguns dos deslocados foram transferidos para centros de evacuação onde também estavam alojadas as vítimas da tempestade tropical Ana, em janeiro.

O ciclone representa um risco para pelo menos 4,4 milhões de pessoas de uma forma ou de outra, disse a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Batsirai chegou em Moçambique e perdeu força, porém pode provocar chuvas intensas nas regiões costeiras do país.



O povo da África Austral está na linha de frente dos extremos climáticos há muitos anos e cada tempestade que passa os traz de volta, redefinindo o progresso feito.