• Raquel Pereira

Ciclones, furacões e tufões deverão ocorrer fora dos trópicos

De acordo com o estudo publicado na revista Nature, o século 21 verá uma expansão de furacões, ciclones tropicais e tufões em regiões de latitude média, o que inclui grandes cidades como Nova York, Boston, Pequim e Tóquio.

Furacões, ciclones e tufões são todos o mesmo fenômeno meteorológico. Os cientistas chamam essas tempestades de nomes diferentes, dependendo de onde elas ocorrem.

De acordo com um estudo publicado na revista Nature, ciclones tropicais, furacões e tufões podem migrar para o norte e para o sul em seus respectivos hemisférios, à medida que o planeta aquece como resultado das emissões antropogênicas de gases de efeito estufa.



A tempestade subtropical Alpha de 2020, o primeiro ciclone tropical observado atingindo a costa de Portugal, e o furacão Henri deste ano, que atingiu o continente em Connecticut, podem ser os precursores de tais tempestades.


"Isso representa um risco importante e subestimado das mudanças climáticas", disse o primeiro autor Joshua Studholme, físico do Departamento de Ciências da Terra e Planetárias de Yale na Faculdade de Artes e Ciências e autor colaborador do Painel Intergovernamental das Nações Unidas.

Esta pesquisa prevê que os ciclones tropicais do século 21 provavelmente ocorrerão em uma faixa mais ampla de latitudes do que tem acontecido na Terra nos últimos 3 milhões de anos.


Embora um aumento nos ciclones tropicais seja comumente citado como um prenúncio da mudança climática, ainda não está claro se eles são sensíveis à temperatura média do planeta. Na década de 1980, o coautor do estudo Emanuel usou conceitos da termodinâmica clássica para prever que o aquecimento global resultaria em tempestades mais intensas, uma previsão que foi validada no registro observacional.



No entanto, outros aspectos da relação entre ciclones tropicais e clima ainda carecem de uma teoria baseada na física. Por exemplo, não há acordo entre os cientistas sobre se o número total de tempestades aumentará ou diminuirá com o aquecimento do clima, ou por que o planeta experimenta cerca de 90 desses eventos a cada ano.


Várias linhas de evidência indicam que poderíamos ver mais ciclones tropicais em latitudes médias, mesmo que a frequência total de ciclones tropicais não aumente, o que ainda é debatido ativamente.

Combinado pelo aumento esperado na intensidade média de ciclones tropicais, essa descoberta implica maiores riscos devido a ciclones tropicais no aquecimento do clima da Terra.



Normalmente, os ciclones tropicais se formam em latitudes baixas, onde têm acesso às águas quentes dos oceanos tropicais e longe do impacto das correntes de jato. A rotação da Terra faz com que grupos de tempestades se agreguem e girem para formar os vórtices que se tornam ciclones tropicais. Outros mecanismos de formação de furacões também existem.



Conforme o clima esquenta, as diferenças de temperatura entre o Equador e os pólos diminuirão, dizem os pesquisadores. Nos meses de verão, isso pode causar enfraquecimento ou mesmo uma divisão na corrente de jato, abrindo uma janela nas latitudes médias para a formação e intensificação de ciclones tropicais.


No estudo, os autores notaram que as simulações de climas mais quentes durante as épocas do Eoceno (56 a 34 milhões de anos atrás) e do Plioceno (5,3 a 2,6 milhões de anos atrás) viram ciclones tropicais se formarem e se intensificarem em latitudes mais altas.

Porém, o principal problema ao fazer previsões futuras de furacões é que os modelos usados ​​para projeções climáticas não têm resolução suficiente para simular ciclones tropicais realistas.