• Davi Moura

Cientistas conseguiram germinar sementes com mais de 2 mil anos

Uma equipe de pesquisadores conseguiu fazer germinar sementes com mais de 2 mil anos, encontradas em diferentes sítios arqueológicos do deserto da Judeia, em Israel.


plantas antigas
plantas são tamareiras da espécie Phoenix dactylifera, originárias do Reino de Judá. O estudo foi publicado na revista científica Science.

Uma equipe de cientistas da Organização Médica Hadassah, em Israel, liderada por Sarah Sallon, a viabilidade a longo prazo de grãos. Eles cultivaram plantas a partir de sementes de tamareira que foram encontradas em ruínas e antigas cavernas romanas de 2 mil anos, próximas à Jerusalém. Os resultados, publicados na revista Science Advances, tornam a planta uma excelente candidata para o estudo da longevidade das sementes de plantas.


Segundo Sarah Sallon, especialista em medicina natural e líder da pesquisa, arqueólogos botânicos disseram que a pesquisadora estava "completamente louca" por tentar fazer brotar as sementes milenares. Apesar de ela ter ouvido deles que a experiência não teria como funcionar, as tamareiras cresceram normalmente.



As sementes datam da época do Reino de Judá, local famoso pela qualidade e quantidade de tâmaras que produzia. As frutas da região eram doces e tinham reputação de terem propriedades medicinais. Os especialistas utilizaram 32 sementes obtidas em diversos sítios arqueológicos, inclusive no palácio do rei bíblico Herodes. Dessas, apenas seis conseguiram germinar com sucesso.


plantas
Ao todo, 6 sementes vingaram e receberam os nomes de Jonas, Uriel, Boaz, Judith, Ana e Adão (Foto: Sallon et al., SciAdv, 2020)

Sallon acredita que o cultivo dessas sementes oferece "um farol de esperança" para um planeta que luta contra a crise climática e a extinção em massa de espécies. Segundo ela, espécies consideradas extintas podem um dia voltar à vida por meio de sementes que estavam dormentes.



O mais impressionante do estudo foi que, a partir das mudas, os pesquisadores começaram a desvendar segredos das práticas de cultivo altamente sofisticadas em Roma. O estudo lançou uma luz sobre as origens da tamareira da Judéia, sugerindo que seu cultivo, beneficiou populações orientais e ocidentais geneticamente distintas, e surgiu de variedades orientais locais ou introduzidas, que só depois foram cruzadas com variedades ocidentais.