• Raquel Pereira

Como Marte perdeu seus oceanos?

Há muito tempo se sabe que Marte já teve oceanos devido a um campo magnético protetor semelhante ao da Terra. Porém, o campo magnético desapareceu e novas pesquisas podem finalmente explicar o porquê.


planeta marte
Ilustração do planeta Marte. Crédito: Stockbym.

Os pesquisadores recriaram as condições esperadas no núcleo de Marte há bilhões de anos e descobriram que o comportamento do metal fundido que se pensava estar presente provavelmente deu origem a um breve campo magnético que estava destinado a desaparecer.



Seja devido à ficção científica ou ao fato de que você pode vê-lo com seus próprios olhos da Terra, Marte capturou a imaginação das pessoas por séculos. É um dos planetas mais próximos de nós e foi estudado com todos os tipos de instrumentos científicos a bordo das várias sondas espaciais não tripuladas que o exploraram e continuam a fazê-lo.


No entanto, apesar disso, existem algumas grandes perguntas não respondidas sobre Marte, cujas respostas podem até esclarecer o passado e futuro distantes, já que a Terra, Marte e todos os nossos planetas vizinhos nasceram da mesma matéria cósmica.

Algumas grandes questões sobre Marte já foram respondidas. Por exemplo, sabemos que muitas características visíveis de Marte são a prova de que costumava ter oceanos e um campo magnético protetor.




Uma equipe no laboratório da Universidade de Tóquio explorou uma nova maneira de testar algo tão distante de nós no tempo e no espaço. O campo magnético da Terra é impulsionado por correntes de convecção de metais fundidos em seu núcleo. Acredita-se que os campos magnéticos em outros planetas funcionem da mesma maneira.


Embora a composição interna de Marte ainda não seja conhecida, evidências de meteoritos sugerem que é ferro fundido enriquecido com enxofre e também a presença de elementos adicionais mais leves, como o hidrogênio.


"Com esse detalhe, preparamos ligas de ferro que esperamos constituir o núcleo e as submetemos a experimentos", disse o estudante da Universidade de Tóquio.

O experimento envolveu diamante e lasers. Foi feito uma amostra de material contendo ferro, enxofre e hidrogênio, os quais eram esperados no núcleo de Marte. Eles colocaram essa amostra entre dois diamantes e a comprimiram enquanto a aqueciam com um laser infravermelho.



A compressão foi feita para simular a temperatura e pressão estimadas no núcleo. Observações de amostras com raios-X e feixes de elétrons permitiram à equipe visualizar o que estava acontecendo durante a fusão sob pressão e até mapear como a composição da amostra mudou durante esse período.





A amostra inicialmente homogênea, se separou em dois líquidos distintos Um dos líquidos de ferro era rico em enxofre, o outro rico em hidrogênio, e isso foi a chave para explicar o nascimento e, eventualmente, a morte do campo magnético em torno de Marte.


O ferro líquido rico em hidrogênio e pobre em enxofre, sendo menos denso, teria se elevado acima do ferro líquido mais denso, rico em enxofre e pobre em hidrogênio, causando correntes de convecção. Essas correntes, semelhantes às da Terra, teriam impulsionado um campo magnético capaz de manter o hidrogênio em uma atmosfera ao redor de Marte, que por sua vez, permitiria que a água existisse como um líquido.



No entanto, isso não durou. Ao contrário das correntes de convecção interna da Terra, que são extremamente duradouras, uma vez que os dois líquidos se separaram completamente, não haveria mais correntes para conduzir um campo magnético. Quando isso aconteceu, o hidrogênio na atmosfera foi expelido para o espaço pelo vento solar, levando à quebra do vapor de água e, eventualmente, à evaporação dos oceanos marcianos. Tudo isso teria ocorrido cerca de 4 bilhões de anos atrás.


Você pode estar se perguntando se a Terra poderia um dia perder seu campo magnético também, mas não não se preocupe, isso não vai acontecer por pelo menos um bilhão de anos.