• Raquel Pereira

Confira como foram as chuvas no Brasil em Janeiro de 2022

Atualizado: 2 de fev.

Como era esperado, chuvas acima da média foram destaque durante o mês de Janeiro de 2022 para a região Norte, Nordeste e partes do Centro-Oeste e Sudeste.


chuvas em Janeiro
Imagem de satélite do GOES-16 GeoColor no dia 31/01/2022 às 12 00 UTC. A Zona de Convergência do Atlântico Sul atua entre a região Norte, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil.

O mês de janeiro normalmente é marcado por chuvas persistentes e regulares em grande parte do país devido aos sistemas meteorológicos atuantes nesse período. O mapa a seguir apresenta a climatologia da precipitação do mês de janeiro. Ao longo do primeiro mês do ano, as chuvas geralmente se concentram em um corredor entre a Amazônia e o sudeste do país, onde pode-se ver os maiores acumulados. Enquanto que o nordeste do Brasil e o extremo norte de Roraima possuem os menores valores.



Os sistemas meteorológicos responsáveis por essas chuvas geralmente são a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), a borda do Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) sobre o nordeste do Brasil e também a entrada de sistemas frontais pelo sul do país. Por exemplo, no último fim de semana, ocorreu a configuração da ZCAS, que está trazendo chuvas persistentes para parte da região norte, centro-oeste e sudeste.


A ZCAS é definida como uma banda de nebulosidade orientada no sentido noroeste/sudeste, que se estende da bacia Amazônica, passa pelo sudeste brasileiro e alcança o Atlântico Sul.


Mapa que apresenta a climatologia da precipitação para o mês de janeiro. Fonte: CPTEC/INPE.

Com a La Niña ativa agora no mês de janeiro de 2022, esperava-se um favorecimento das chuvas no Centro-Norte do país e uma estiagem no Sul. A La Niña é parte de um grande sistema que conecta o oceano e a atmosfera chamado ENOS. ENOS é a abreviação de “El Niño-Oscilação Sul” e se refere às situações nas quais o oceano Pacífico Equatorial está: seja na fase quente (El Niño) ou na fria (La Niña). Ele tem um grande impacto nos padrões de convecção tropical e na complexa interação do sistema oceano-atmosfera.



Um outro fator que pode ter influenciado as chuvas no Brasil no mês de janeiro é a Oscilação de Madden-Julian (OMJ). A OMJ é um distúrbio de nuvens, chuva, ventos e pressão que se move para leste envolta de toda a faixa tropical do planeta Terra. Esse distúrbio leva cerca de 30 a 60 dias, em média, para dar uma volta completa no nosso planeta.


O gráfico abaixo apresenta as fases que a OMJ se encontrava ao longo do primeiro mês do ano. A fase 8 da OMJ pode ter auxiliado as chuvas sobre o setor tropical do Brasil nesse período.


Fases da Oscilação Madden Julian. Fonte: https://meteorologia.unifei.edu.br/.

Além da influência da La Niña e OMJ, um outro importante sistema meteorológico para as chuvas no Brasil são as frentes frias, que no verão geralmente atuam no Sul do país.


Os sistemas frontais são modulados por um índice chamado de Oscilação Antártica e no mês de janeiro esse índice esteve positivo, que é caracterizado pela pressão abaixo da média sobre o Ártico. Em resumo, o índice positivo desfavorece a chegada de frente frias pelo Sul do Brasil.



O mapa de anomalia da precipitação de janeiro de 2022 abaixo mostra o quanto choveu no mês em relação ao que geralmente chove, pois a anomalia se refere a diferença em relação a média. Ou seja, quando a anomalia da precipitação está positiva, ocorreu chuva acima da climatologia e o inverso ocorre quando a anomalia é negativa.


Mapa que apresenta a anomalia de precipitação para o mês de janeiro. Fonte: CPTEC/INPE.

É perceptível, pelas cores azuis da imagem (que indicam maiores valores de precipitações em relação a climatologia), que as chuvas ocorreram, de modo geral, acima da média em parte do Norte, principalmente no estado do Pará, em partes também do Nordeste, Centro-Oeste e centro-sul da região Sudeste.


Portanto, as condições atuais da La Niña no oceano pacífico podem ter sido a causa da chuva acima da média no Centro-Norte do país e a fase 8 da OMJ ter favorecido as chuvas no setor tropical. Enquanto no Sul do Brasil, além da La niña favorecer a diminuição da precipitação, a Oscilação Antártica positiva, não ocasionou a chegada de frentes frias na região.