• Raquel Pereira

O Verão marca o início da temporada de raios no Brasil

Atualizado: 1 de fev.

Temporada de raios à frente!!! O Brasil está em primeiro lugar na lista de países com maior incidência de relâmpagos no mundo, e é justamente no verão que ocorre sua maior quantidade.


Nenhum país do mundo registra mais relâmpagos que aqui no Brasil.

Ontem, terça-feira (21), às 12h 59 teve início o verão no Hemisfério Sul. Essa estação é marcada por noites curtas e dias longos. O verão que começa dia 21 vai até 20/03/2022 e durante esse período o sol incide perpendicularmente no trópico de capricórnio, devido a isso os índices de radiação solar são maiores nessa época do ano.



Os relâmpagos são classificados de acordo com sua região de formação e dissipação: da nuvem para o solo (Nuvem-Solo, NS); do solo para a nuvem (Solo-Nuvem, SN); dentro de uma mesma nuvem (Intra-Nuvem, IN); entre duas ou mais nuvens (Entre-Nuvens, EN) (Ogawa, 1995). Os relâmpagos IN são os mais comuns, depois os relâmpagos NS.


Contudo os NS são os mais estudados e melhor compreendidos, pela maior facilidade na realização de medidas, e também por suas consequências negativas na superfície terrestre.

Tem-se que aproximadamente 1,4 bilhões de relâmpagos ocorram anualmente no globo, sendo 60-75 milhões apenas no Brasil (Pinto et al. 2003), causando a morte de mais de 100 pessoas todos os anos no país. E também, os relâmpagos são responsáveis por prejuízos da ordem de milhões aos setores elétricos e de telefonia.




Os raios têm um grande potencial destrutivo, sendo que sua descarga elétrica pode superar a 100.000 Ampères (A) e a vários milhões de Volts (V). A corrente média de um raio medido aqui no Brasil é cerca de 1.240 vezes maior que a corrente de um chuveiro elétrico de alta potência, de 7500 watts.


No Brasil, a abundante disponibilidade de umidade e calor favorecem o crescimento das nuvens e a ocorrência de tempestades elétricas, principalmente nos meses mais quentes do ano (de janeiro a março).

Portanto, o período de maior atividade de relâmpagos sobre o território brasileiro ocorre entre os meses de janeiro e março devido a um forte aumento da atividade convectiva sobre o continente. Neste período, a instabilidade atmosférica é intensificada em função da presença de bandas de nebulosidade convectivas.



Além disto, os sistemas frontais que atingem as regiões sul e sudeste do país tem sua atividade convectiva intensificada em função da presença de uma maior quantidade de umidade e calor na atmosférica (Guedes e Machado, 1997).


Mapa espacial que indica a quantidade de relâmpagos em todo o território brasileiro durante os anos de 2018 e 2019. Fonte: INPE..

A atividade de relâmpagos varia em função da latitude. Na imagem acima nota-se que a atividade elétrica sobre o Brasil é maior no centro-sul e menor entre o norte e nordeste. Esta diminuição na atividade de relâmpagos deve-se a diminuição da altitude da isoterma -10ºC (a altitude do centro de cargas negativo da nuvem) diminuindo assim a profundidade da camada de cargas negativas da nuvem.



Nas regiões sul e sudeste do país, são áreas que possuem uma maior quantidade de relâmpagos. As instabilidades geradas por fenômenos da mesoescala e da escala sinótica que são frequentes nesta área e época do ano como o verão, associadas a perturbações locais intensificam a atividade convectiva, favorecendo o aumento do número de ocorrência de relâmpagos.