• Gabriela Bittencourt

Ocorrência do fenômeno El Niño deve ser mais frequente até 2040

O fenômeno El Niño afeta os padrões climáticos, os ecossistemas e as sociedades em todo o planeta. Um novo estudo mostra que as flutuações climáticas globais devem se intensificar e ocorrer com mais frequência até 2040.


Fenômeno El Niño
Estrutura espacial do fenômeno El Niño no seu pico em novembro de 2015. Fonte: ECMWF

O El Niño é um fenômeno atmosférico-oceânico caracterizado basicamente pelo aquecimento anormal das águas superficiais e sub-superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, devido ao enfraquecimento dos ventos alísios. É evento climático que ocorre em intervalos de dois ou mais anos e causa diversas alterações climáticas em todo o globo, além dos prejuízos ambientais e socioeconômicos nas regiões afetadas.



Um estudo recente, "Emergence of climate change in the tropical Pacific", publicado dia 7 de março na revista Nature Climate Change, examinou quatro possíveis cenários para um aumento de emissões de carbono na atmosfera e encontrou nos todos os cenários uma grande probabilidade de eventos El Niño com mais frequência a partir do aumento das mudanças climáticas.


O autor principal do estudo Dr. Jun Ying, diz que: "Sabe-se através de estudos anteriores que, ao medir as mudanças do El Niño em termos de mudanças de chuva no pacífico leste equatorial, os modelos preveem um aumento na frequência de eventos."

O estudo examina também o tempo de surgimento das mudanças no Pacífico tropical usando modelos climáticos de última geração. O tempo de surgimento é definido quando o sinal da mudança climática emerge da variabilidade climática natural.



Determinar esse tempo de surgimento dos sinais de mudança climática a partir da variabilidade natural é fundamental para estratégias de mitigação e planejamento de adaptação.


O co-autor do estudo, Professor Mat Collins, da Universidade de Exeter acrescentou que "o que nos surpreendeu é que as mudanças surgem independentemente do cenário que olhamos".

Ao observar as mudanças nos padrões de chuva do El Niño, a melhor estimativa do tempo de surgimento das mudanças converge em 2040 em todos os quatro cenários de emissões considerados.



Como as chuvas nos trópicos estão associadas às temperaturas mais quentes da superfície do mar (TSM), as mudanças relativas na TSM que são mais importantes do que a mudança absoluta.


O estudo revelou que o sinal da temperatura média anual da superfície do mar (SST) já emergiu em grande parte do Pacífico tropical, aparecendo por último no leste. No entanto, o sinal de variabilidade de precipitação relacionado ao El Niño está projetado para surgir por volta de 2040, independentemente do cenário de emissão.

Em resumo, os resultados são apresentados pelo estudo são instrutivos para a detecção de sinais de mudança climática e reforçam os riscos emergentes de extremos climáticos induzidos pelo fenômeno El Niño, independentemente das ações de mitigação.