• Gabriela Bittencourt

Previsão do tempo para segunda quinzena de Junho de 2022

A segunda quinzena de Junho marca o início do inverno astronômico no Hemisfério Sul. É esperado muita instabilidade nos extremos do país, avanço de frente fria e massas de ar polar. Confira a previsão para os próximos 15 dias.


Modelo GFS previsão total acumulado de prec
Modelo GFS com precipitação total acumulada para a próxima quinzena. Rodada iniciada em 0000 UTC do dia 14/06/2022 válida até dia 30/06/2022.

O início da segunda metade de junho, especificamente durante o feriado de Corpus Christi na próxima quinta-feira (16), vai ser marcado pela formação de um sistema de baixa pressão que vai se deslocar do noroeste da Argentina para o Rio Grande do Sul com acumulados de chuva significativos, além de descargas elétricas e vento forte.




Nos demais estados da região Sul, assim como em parte do Sudeste e Centro-Oeste, o feriado vai começar com tempo firme, mas no decorrer do dia, e também durante a sexta-feira (17), essa frente fria deve avançar trazendo instabilidades para essas regiões.



Após a passagem desse sistema frontal, uma nova massa de ar polar vai avançar pelo continente trazendo temperaturas próximas a 0ºC e negativas em alguns pontos do Sul do Brasil, além da ocorrência de geada. Parte do Centro-Oeste e Sudeste (SP, RJ, sul de MG, sul de GO, MS e sul do MT) também devem sentir a queda de temperatura. O fim de semana deve ser gelado principalmente na região Sul do Brasil.


Modelo ECMWF
Modelo ECMWF com temperatura à 2 metros. Rodada iniciada às 0000 UTC do dia 14/06/2022, válida até às 0900 UTC do dia 18/06/2022.

La Niña, Oscilação Madden-Julian e Oscilação Antártica, como ficam nessa próxima quinzena?


O fenômeno La Niña seguirá influenciando o regime de chuvas principalmente na região norte do Brasil. A previsão é que o fenômeno siga ativo ainda durante todo o inverno de 2022, que se inicia no próximo dia 21/06/2022 às 06h14 min no horário de Brasília.


Oscilações
Modelos de previsão para a segunda quinzena de Junho. OMJ, anomalia sazonal da TSM (La Niña) e previsão AAO.

A oscilação Madden-Julian está na fase 1. Essa fase favorece anomalias mais positivas de chuva na parte norte do Brasil, de acordo com a análise do mapa acima. Nos primeiros dias da segunda quinzena de Junho, a OMJ deve permanecer em uma fase mais inativa da sua oscilação, passando para as fases 7 e 8 até o fim do mês de Junho.



A figura abaixo mostra como foi o regime de chuvas nos últimos 7 dias de Junho, onde os maiores acumulados de chuva foram nas regiões do Norte e também na região Sul do Brasil, devido a passagem de uma frente fria na última semana.


Acumulado de chuva últimos 7 dias.
Mapa do acumulado total de chuva dos últimos 30 dias. Fonte: CPC.

Nesta próxima quinzena, o que se destaca é a Oscilação Antártica que deve seguir em uma fase negativa da oscilação. Essa fase negativa deve seguir, de acordo com os modelos estatísticos, até o dia 28 de Junho favorecendo o avanço de sistemas frontais mais intensos para a América do Sul.



Os modelos indicam que, durante a próxima quinzena, pelo menos mais dois sistemas frontais devem avançar pela região Sul do Brasil atuando com a formação de um sistema de baixa pressão do Noroeste da Argentina, trazendo instabilidades para a região Sul do Brasil.


Modelo GFS
Gif com previsão pelo modelo GFS válida até dia 28/06/22 às 18 UTC. Campo com a taxa de precipitação média, pressão à nível médio do mar e espessura da camada entre 1000 - 500 mb.

Chuvas no Brasil para a segunda quinzena de Junho/2022


Para essa segunda quinzena do mês de Junho, os modelos indicam que a La Niña segue ativa durante o inverno, AAO na fase negativa influenciando a entrada mais frequente de sistemas frontais para a América do Sul as chuvas devem ficar mais concentradas nos extremos do Brasil (regiões Sul e Norte/Nordeste).



A região central do Brasil, incluindo parte do Sudeste, Centro-Oeste e sertão nordestino devem permanecer com o tempo mais estável nessa próxima quinzena. As regiões extremas do Brasil, no Sul, Norte e Nordeste os acumulados devem ser expressivos, principalmente na nordeste gaúcho e em SC com acumulados chegando a 250 mm para esta próxima quinzena.