• Gabriela Bittencourt

Primeira missão particular chega à Estação Espacial Internacional

US$ 55 milhões, esse foi o preço de cada passagem na primeira missão totalmente privada para a Estação Espacial Internacional que ocorreu no último sábado com uma tripulação de quatro membros da empresa startup Axiom Space.


SPACE X NASA
foguete SpaceX Falcon 9 com a cápsula Crew Dragon Endeavour.

A NASA efetivou uma parceria de três vias com a Axiom e a SpaceX como um passo fundamental para a comercialização da região do espaço conhecida como "Low Earth Orbit", levando a agência a um outro tipo de viagem, mais ambiciosas e mais profunda no cosmos.



No sábado (9), a SpaceX Falcon 9 com uma cápsula Crew Dragon Endeavour se posicionou às 12h29min, horário local, na estação espacial. Comandando a Axiom Mission 1 (Ax-1) está o ex-astronauta da NASA Michael Lopez-Alegria, com dupla cidadania dos Estados Unidos e da Espanha, que voou para o espaço quatro vezes ao longo de sua carreira de 20 anos e visitou a ISS pela última vez em 2007.



Ele irá acompanhado por três tripulantes pagantes: o investidor imobiliário americano Larry Connor, o investidor e filantropo canadense Mark Pathy e o ex-piloto de caça israelense, investidor e filantropo Eytan Stibbe.


Tripulantes AX-1
A tripulação composta pelo piloto Larry Connor dos Estados Unidos, comandante Michael López-Alegría da Espanha e dos Estados Unidos, e especialistas da missão Mark Pathy e Eytan Stibbe do Canadá e Israel. Crédito: Espaço Axiom

“Estamos aqui para experimentar, mas entendemos que há uma responsabilidade”, disse Connor em comentários mostrados no feed ao vivo da NASA.

O preço amplamente divulgado dos ingressos – que inclui oito dias no posto avançado, antes de uma eventual queda no Atlântico – é de US$ 55 milhões. Enquanto cidadãos particulares ricos já visitaram a ISS antes, o Ax-1 é a primeira missão com uma tripulação totalmente privada voando em uma espaçonave particular para o posto avançado.



A Axiom, com sede em Houston, paga a SpaceX pelo transporte, e a NASA também cobra a Axiom pelo uso da ISS.


NASA
O vice-chefe de gabinete da NASA Bale Dalton, à esquerda, e o administrador da NASA Bill Nelson assistem ao lançamento de um foguete SpaceX Falcon 9 carregando a espaçonave Crew Dragon da empresa na Axiom Mission 1 (Ax-1).

Uma viagem com objetivos


A bordo da ISS, que orbita 400 quilômetros acima do nível do mar, o quarteto realizará 25 projetos de pesquisa, incluindo uma demonstração da tecnologia do MIT de telhas inteligentes que formam um enxame robótico e se montam sozinhos na arquitetura espacial.



Outro experimento envolve o uso de células-tronco cancerígenas para cultivar mini tumores e, em seguida, alavancar o ambiente de envelhecimento acelerado da microgravidade para identificar biomarcadores para detecção precoce de câncer.


"Nossos caras não vão até lá e flutuam por oito dias tirando fotos e olhando para fora da cúpula", disse Derek Hassmann, diretor de operações da Axiom Space, a repórteres em um briefing de pré-lançamento.

A equipe da Axiom viverá e trabalhará ao lado da equipe regular da estação: atualmente três americanos e um alemão no lado americano e três russos no lado russo.



A empresa fez parceria para um total de quatro missões com a SpaceX, e a NASA já aprovou em princípio a segunda, Ax-2. A Axiom vê nessas viagens como um dos primeiros passos para um objetivo maior: construir sua própria estação espacial privada. O primeiro módulo deve ser lançado em 2024.


O plano é que a estação seja inicialmente anexada à ISS, antes de eventualmente voar de forma autônoma quando esta se aposenta e sairá de órbita em algum momento após 2030.