• Raquel Pereira

Relâmpagos que talvez você nunca viu!

Em termos gerais, existem dois tipos de relâmpagos: relâmpagos na nuvem e relâmpagos no solo. Porém existem vários outros tipos de relâmpagos que não são tão frequentes de ocorrer e ainda conhece-se pouco sobre eles.


Tipo de relâmpago chamado "Red Sprite". Via McDonald Observatory. Crédito: Stephen Hummel

A partir de 1980 com o aprimoramento do instrumental de detecção, diversos fenômenos luminosos desconhecidos foram descobertos na atmosfera superior.


Na Estratosfera e Mesosfera ocorrem fenômenos luminosos transientes (TLEs, do inglês Transient Luminous Events), que são normalmente melhor observados por câmeras instaladas em aviões ou satélites. Os TLEs formam um conjunto de emissões óticas resultantes do junção entre as tempestades troposféricas e as camadas atmosféricas superiores.



Embora os relâmpagos representem tipicamente trocas de carga entre as nuvens e o solo, outros caminhos são possíveis e ocorrerão nas condições certas. Em vez de transportar elétrons entre as nuvens e o solo, às vezes a natureza prefere caminhos alternativos .


Representação dos tipos mais frequentes de TLEs. Fonte: Iaa-Csic.

Na imagem acima é apresentado uma variedade de fenômenos de relâmpagos transitórios, incluindo sprites vermelhos e jatos azuis, que são os mais comumente vistos, exceto os relâmpagos normais abaixo das nuvens. Esses fenômenos podem ser comuns, porém só foram evidenciados recentemente devido à dificuldade de observá-los.


Os “Sprites” são característicos por cores avermelhadas e forma cilíndrica lembrando tentáculos e foram descobertos em 1989 (Franz). Em 85% dos casos o “sprite” ocorre após um relâmpago nuvem-solo positivo, dentro de um intervalo de tempo aproximado de 20-30 milisegundos (ms).



A parte superior denominada cabeça situa-se a aproximadamente 75 km de altitude e a partir dela, mais abaixo, ficam uma espécie de tentáculos que se estendem até 40 km, avermelhados e de tom azulado nas pontas.



Os "Jatos azuis" (blue jets) surgem no topo de grandes nuvens de tempestade e propagam-se para cima. Geralmente ocorre abaixo dos 40 km de altura, mas alguns foram observados a mais de 70km, de formato maior, chamados de jatos gigantes (gigantic blue jet).


Existe uma indicação estatística de que tenham uma relação com os raios negativos nuvem-solo. Foram descobertos em 1994 e duram alguns milisegundos (ms).


Os "Elves” possuem formato de disco e possivelmente provêm do pulso eletromagnético gerado durante as grandes descargas abaixo das nuvens. Foram descobertos em 1992 (câmera em ônibus espacial). Estão associados a pulsos eletromagnéticos que propagam para ionosfera e sua luminosidade dura menos de 1 ms.




Existem também os chamados "relâmpago bola" (também conhecido como raio globular), que é extremamente raro, e quando ocorre, dura apenas alguns segundos e por isso é difícil de ser registrado por alguma câmera.



A teoria mais aceita (John Abrahamsom e James Dinniss) é que esse fenômeno seria formado pelo vapor do silício após uma descarga elétrica atingir o solo. A medida que o vapor resfria ocorre condensação e por sua vez uma bola é formada devido a carga elétrica na superfície.