• Gabriela Bittencourt

Uma explosão de poeira do Saara

Os ventos de leste transportam aproximadamente 100 milhões de toneladas de areia do Deserto do Saara por ano, e grande parte desta areia é transportada em direção ao Oceano Atlântico Norte.


Poeira do deserto do Saara
Um novo suprimento de partículas transportadas pelo ar decolou do noroeste da África no início de junho de 2022. Imagem do satélite NOAA-20/VIIRS, no dia de 7 de junho de 2022.

No início de junho de 2022, uma nova porção de areia foi transportada ao longo do Oceano Atlântico direcionado para as Américas. O sensor instalado no satélite da NOAA, conhecido como “Visible Infrared Imaging Radiometer Suite (VIIRS)” conseguiu adquirir imagens em cores naturais de poeira ao longo dos dias 3 à 5 de junho deste ano, momento o qual as nuvens de poeiras estavam mais distintas. Além destas imagens, a câmera policromática da NASA que temos no satélite da DSCOVR da NOAA também adquiriu imagens do evento ao longo de todo o hemisfério.



Os sensores do satélite da NASA que tem como função rastrear a profundidade óptica dos aerossóis, observaram aumentos substanciais nas partículas refletoras de luz solar na região a partir do dia 29 de maio e perdurando até o dia 6 de junho, indicando valores altos de concentração de aerossóis sobre a região. As imagens de satélite também conseguiram captar a progressão da “tempestade de areia” ao longo do oceano.



Esse transporte de areia desempenha um papel importante no clima e nos sistemas biológicos da Terra. As partículas transportadas pelo ar absorvem e refletem a luz solar, fazendo com que a quantidade de energia solar que irá atingir a superfície, podem promover ou reduzir a formação de nuvens e tempestades, dependendo de outras condições atmosféricas.



A poeira pode degradar a qualidade do ar e ter efeitos negativos para a saúde, principalmente para pessoas com predisposição ou problemas anteriores envolvendo o pulmão. Além disso, a poeira é rica em ferro e em outros minerais os quais se fazem necessários para as plantas. Devido a esse fato, estudos mostram que o desenvolvimento das precipitações intensas que ocorrem na floresta Amazônica se devem ao fato do transporte de poeira oriundos do Saara, servindo de base para a formação dessas nuvens de chuva.



O deserto do Saara é a maior fonte de poeira do planeta, e suas tempestades podem surgir em diversas épocas do ano. Observado nas tempestades de inverno e primavera, a poeira tem como função fertilizar os solos pobres da floresta amazônica.



as tempestades de poeira que ocorrem no verão lançam mais material para a atmosfera, fazendo com as nuvens de poeira sejam transportadas por distâncias maiores em níveis mais altos da atmosfera. Devido aos padrões atmosféricos do vento no verão na região, essa poeira pode ser encontrada no Caribe e no Golfo do México. Estudos recentes mostram que as nuvens de poeira deste ano foram visualizadas na Flórida, Texas e em outros estados do sul dos Estados Unidos.